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Vegetariano, “hippie” e defensor do meio ambiente: saiba quem é o novo ministro da Agricultura da Argentina

No país com um dos maiores consumos per capita de carne do mundo, o novo ministro de Agricultura da Argentina é vegetariano. “Assim sobra mais carne para exportar”, costuma brincar Luis Eugenio Basterra, quando é indagado sobre a opção alimentar.

Nascido em Resistência, Chaco, província argentina com maior índice de desnutrição infantil, Basterra é um defensor da agricultura familiar e da preservação do meio ambiente.

Aos 61 anos, de cabelos longos, riso fácil e afável, Basterra, já viveu durante a juventude, “em alguma praia do Sul do Brasil”, conforme comentou à Globo Rural em um perfeito português, durante rápida conversa em premiação a jornalistas argentinos do setor agropecuário.

Na ocasião, o ministro revelou que está se formando em biodança, um sistema de autodesenvolvimento que trabalha o autoconhecimento através de música, dança e partilha em grupo, criado pelo antropólogo e psicológo chileno Rolando Toro, nos anos 1960. Além da Argentina e do Brasil, a biodança tem adeptos em mais de 50 países.

“É um sujeito de bem e de paz”, descreveu um jornalista que acompanha sua trajetória política na província vizinha à de nascimento, em Formosa.

Do serviço público à Câmara
No serviço público, Basterra começou como subsecretário de Emprego da Secretaria de Economia, Obras e Serviços Públicos e foi secretário de Produção, ambos em Formosa. Também presidiu o Conselho Federal de Meio Ambiente e ocupou a função de vice-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) – equivalente à Embrapa.

Em 2011, ele foi eleito deputado federal com a benção do governador Gildo Insfrán, um leal aliado da vice-presidente Cristina Kirchner. E foi esta conexão que o levou à lista de ministros do presidente Alberto Fernández.

Basterra é formado em Agronomia, com mestrado em Administração Estratégica de Negócios. Não é à toa que é reconhecido como bom negociador e cultiva boas relações com o setor agropecuário. Como deputado, sempre fez parte da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara. Fontes próximas do ministro o descrevem como uma pessoa “obstinada e resistente”.

Persistente e cheio de proejtos
Segundo um colega, “ele não desiste no primeiro fracasso” e, por isso mesmo, apresentou várias vezes, sem sucesso, um projeto de “conservação e melhoria dos solos de uso agropecuário através da promoção do uso de fertilizantes”. A medida é muito reivindicada pelos produtores rurais porque os gastos com estes insumos podem ser abatidos no imposto de renda, conforme prevê o projeto.

Basterra também foi autor de outros projetos de promoção da produção de algodão e das frutas tropicais do norte argentino, região de sua origem, assim com uma proposta que declara de interesse nacional a produção de adoçante natural com a planta local stevia.

Preocupado com a conservação do meio ambiente e com o aumento da polêmica sobre o uso de agroquímicos, Basterra apresentou duas vezes um projeto de lei sobre controle dos produtos fitossanitários, que até foi debatido em comissão, mas nunca votado em plenário.

Sustentabilidade e orgânicos
O ministro defende uma produção agropecuária autossustentável amigável com o meio ambiente. Também pensa que os recursos genéticos precisam ser cuidados para preservar a biodiversidade. Neste sentido, apresentou ainda um projeto declarando de interesse nacional os recursos genéticos.

Com traços ambientalistas tão evidentes, Basterra apresentou pelo menos cinco projetos que declaravam como interesse nacional e, por consequência, defendia a proteção e preservação de inúmeras espécies da fauna e flora e áreas ambientais da Argentina.

Também é autor de um projeto de lei para criar um novo regime para a promoção de alimentos orgânicos. Este tampouco foi aprovado na Câmara.

Conciliador nos bastidores
Graças ao jogo de cintura política, o ministro já conseguiu evitar o início de um locaute dos produtores rurais, na quarta-feira passada (19/2). Os representantes das principais entidades agropecuárias se reuniram com o objetivo de aprovar a adoção da medida de força para protestar contra a alta pressão tributária sobre o setor após o aumento das alíquotas dos impostos sobre as exportações.

Uma ligação telefônica de Basterra postergou a decisão dos ruralistas. Mas não se sabe até quando, já que os produtores pressionam seus representantes para promover um locaute imediato diante da falta de uma resposta do governo aos apelos para baixar as alíquotas.

Os ruralistas tentam marcar uma reunião com o ministro desde dezembro, logo após a posse do presidente Fernández, para tentar sensibilizar no novo governo sobre a situação do setor após a elevação das retenções para alguns produtos como a soja e a volta do imposto para o trigo, milho, carne e outros produtos.

O mal-estar no campo em relação ao governo aumenta a cada dia. Resta saber se o espírito de paz e amor do ministro será suficiente para evitar uma ruptura do setor com o governo, como ocorreu em 2007 durante a presidência de Cristina Kirchner.

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