
Nos últimos anos, os drones deixaram de ser novidade e passaram a fazer parte da rotina de muitas lavouras brasileiras. Na avaliação de Alfredo Moreira Filho, empresário especializado em gestão empresarial, a velocidade dessa adoção mostra como o agronegócio incorpora rapidamente tecnologias capazes de reduzir custos e aumentar a precisão das operações.
Os números confirmam a transformação. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a frota de drones agrícolas em operação no país saltou de cerca de 3 mil para aproximadamente 35 mil unidades em apenas quatro anos. Entenda, nos próximos parágrafos, como essa tecnologia funciona, quais são suas regras e o que ela representa para o campo.
Uma frota que se multiplicou
O crescimento não dá sinais de desaceleração. De acordo com dados apresentados pelo setor, o Brasil deve registrar a ativação de mais de 11 mil novos drones agrícolas neste ano, alta de 38% em relação ao ano anterior, e o mercado de drones pulverizadores deve movimentar mais de R$ 2 bilhões.
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, o Sindag, estima que o segmento cresce em média 30% ao ano. Das 272 empresas de aviação agrícola associadas à entidade, cerca de 50 já operam com drones, número que segue em expansão. Conforme detalha Alfredo Moreira, esse ritmo indica que a tecnologia deixou a fase experimental e passou a integrar o planejamento das propriedades.
Como funciona a pulverização com drones?
Os drones agrícolas são diferentes dos modelos usados para fotografia. Eles têm estrutura reforçada, tanques para líquidos ou reservatórios para fertilizantes granulados e bicos calibrados para distribuir os produtos de forma uniforme. Guiados por sistemas de navegação por satélite, podem seguir rotas programadas e aplicar insumos apenas onde é necessário.
Estudos da Embrapa indicam que o desempenho dos drones é equivalente, e em alguns aspectos superior, ao da pulverização terrestre tradicional. Uma das vantagens é eliminar o amassamento das plantas causado pela passagem de tratores, além de reduzir o consumo de água e de insumos. Em regiões do Norte, onde o relevo ou a logística dificultam o uso de máquinas, os drones muitas vezes são a única solução viável. Como analisa Alfredo Moreira Filho, a tecnologia amplia o alcance da agricultura de precisão para áreas antes pouco atendidas.

Alfredo Moreira Filho
Regras para operar
A expansão veio acompanhada de regulamentação. Uma portaria do Ministério da Agricultura criou o marco regulatório específico para a pulverização com drones, exigindo, entre outros pontos, o cadastro de operadores e empresas prestadoras de serviço. Para atuar profissionalmente, o piloto precisa concluir o Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota, com carga horária de 60 horas.
Além disso, os equipamentos devem ser cadastrados na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac. O país já ultrapassou a marca de 133 mil drones registrados, considerando todos os tipos de uso, e o agronegócio aparece entre os principais vetores dessa demanda. Em observação feita por Alfredo Moreira, a existência de regras claras é o que permite que um novo mercado cresça com segurança para quem contrata e para quem presta o serviço.
Um novo mercado de serviços e seus limites
O drone também criou uma nova atividade econômica no campo. Segundo representantes do setor, a maior parte dos proprietários presta serviços para terceiros, e uma parcela expressiva dos novos usuários tem menos de 30 anos, o que abre oportunidades de trabalho para jovens das regiões produtoras.
A tecnologia, no entanto, tem limitações. A capacidade dos tanques e a autonomia das baterias restringem a área coberta por voo, e condições como vento forte podem causar deriva, quando o produto se desloca para fora da área desejada. Por isso, a operação exige planejamento e profissionais bem treinados. Segundo pontua Alfredo Moreira Filho, o ganho real da tecnologia depende menos do equipamento em si e mais da qualidade da gestão que orienta seu uso.





