Tecnologia

Foodtech Maash capta € 12,15 milhões para ampliar produção de proteína feita com fungos

Empresa de biotecnologia sediada em Bruxelas pretende levar sua micoproteína LoCylia à escala industrial por meio de fermentação, mirando aplicações que incluem produtos veganos e vegetarianos.

A foodtech belga Maash anunciou uma nova etapa de expansão de sua tecnologia de proteínas alternativas. A empresa conseguiu um pacote de financiamento de € 12,15 milhões, equivalente a aproximadamente US$ 14,2 milhões, combinando investimentos privados, recursos públicos e financiamento. O dinheiro será destinado principalmente à implantação de uma unidade de demonstração na França e à preparação da produção industrial de sua micoproteína LoCylia. A operação foi divulgada nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026. (Green Queen)

A empresa trabalha com uma tecnologia baseada em fermentação de fungos, transformando biomassa fúngica em um ingrediente rico em proteínas e fibras que pode ser utilizado pela indústria alimentícia. Embora a LoCylia também seja destinada a produtos híbridos que combinam proteínas animais e alternativas, a própria Maash trabalha com fabricantes interessados no desenvolvimento de opções veganas e vegetarianas, tornando a tecnologia relevante para o avanço desse mercado. (EU-Startups)

Tecnologia usa fermentação para produzir proteína

Fundada em 2021 por Frédéric van Gansberghe e Gaspard Gilbert, a Maash utiliza fermentação submersa para produzir micoproteína. O processo emprega uma linhagem de fungo filamentoso autorizada na União Europeia, cultivada em meio líquido sob condições controladas. Parâmetros como temperatura, oxigenação e pH precisam ser administrados para otimizar a produção e preservar propriedades funcionais e sensoriais do ingrediente. (Green Queen)

Depois da fermentação, a biomassa é processada para se transformar em um ingrediente que pode ser fornecido a fabricantes de alimentos. Esse modelo coloca a Maash no segmento conhecido como fermentação de biomassa, uma das tecnologias utilizadas atualmente para desenvolver fontes alternativas de proteínas sem depender exclusivamente da agricultura convencional ou da criação de animais.

Micoproteína pode chegar a produtos veganos e vegetarianos

Para o mercado vegetariano e vegano, um dos aspectos mais interessantes da tecnologia é a versatilidade da micoproteína. A Maash afirma trabalhar com empresas alimentícias tanto para reduzir entre 10% e 30% a quantidade de carne presente em determinadas formulações quanto para desenvolver produtos veganos e vegetarianos. (EU-Startups)

Isso significa que a tecnologia não deve ser descrita como exclusivamente vegana: parte das aplicações comerciais previstas pela empresa envolve produtos híbridos contendo carne. Entretanto, a micoproteína produzida por fermentação também pode funcionar como base proteica para formulações sem carne, colocando a empresa entre as foodtechs que podem fornecer ingredientes para o mercado plant-based. (Green Queen)

Nova fábrica será instalada na França

Uma parte importante do investimento será utilizada para colocar em funcionamento uma unidade de demonstração de 12 metros cúbicos em Carling-Saint-Avold, na França. A Maash adquiriu anteriormente uma instalação da antiga empresa francesa de biotecnologia Metabolic Explorer e passou os últimos dois anos preparando a estrutura para seu projeto industrial. (proteinproductiontechnology.com)

A planta demonstrativa funcionará como etapa intermediária entre o desenvolvimento tecnológico e a produção comercial em grande escala. O objetivo posterior é alcançar uma estrutura industrial capaz de produzir aproximadamente 10 mil toneladas de micoproteína por ano, segundo informações divulgadas pela empresa e por publicações especializadas. (proteinproductiontechnology.com)

Financiamento combina capital privado e recursos públicos

Dos € 12,15 milhões anunciados, € 5,85 milhões correspondem a investimentos em participação realizados por Ambra Capital, InvestPro, Bpifrance Amorçage Industriel, Nordzucker e Tereos. Outros € 4,3 milhões são provenientes do programa Première Usine, da Bpifrance, enquanto mais € 2 milhões correspondem a um empréstimo apoiado pelo programa France 2030. (proteinproductiontechnology.com)

A entrada de empresas ligadas ao processamento agrícola também pode contribuir para o avanço industrial da tecnologia. A Tereos, por exemplo, está colaborando com a Maash em substratos utilizados durante a fermentação, enquanto os novos investidores fornecem não apenas recursos financeiros, mas experiência industrial, acesso ao mercado e apoio estratégico. (proteinproductiontechnology.com)

LoCylia aposta em proteína e fibras

A LoCylia é apresentada como uma micoproteína derivada de fermentação e destinada principalmente ao fornecimento B2B, ou seja, a Maash não pretende necessariamente vender produtos finais diretamente ao consumidor. Seu negócio consiste em fornecer o ingrediente para outras empresas desenvolverem alimentos utilizando a proteína fúngica. (FoodBev Media)

Segundo informações divulgadas pela empresa, a micoproteína possui todos os aminoácidos essenciais e apresenta elevado teor de fibras. A tecnologia também permite adaptar o ingrediente a diferentes texturas, característica relevante para fabricantes que procuram criar alternativas vegetais com experiências sensoriais mais próximas das expectativas dos consumidores. (Green Queen)

Tecnologia busca reduzir impacto ambiental

Outro argumento apresentado pela Maash está relacionado ao uso de recursos naturais. A empresa afirma que sua LoCylia utiliza 90% menos água e 99% menos terra e gera 95% menos emissões de gases de efeito estufa quando comparada à carne bovina. Esses números são estimativas divulgadas pela própria companhia e, portanto, devem ser tratados como dados corporativos, não como uma comparação independente de todo o setor. (Green Queen)

A fermentação também oferece uma característica importante para a expansão das proteínas alternativas: a produção pode ocorrer em instalações industriais controladas, diminuindo a dependência de grandes áreas agrícolas para obtenção da proteína. A possibilidade de aumentar a produção em biorreatores explica por que diferentes empresas estão investindo nessa tecnologia.

Empresa também anuncia nova CEO

A expansão industrial será acompanhada por mudanças na administração. Samah Garringer assumirá o cargo de CEO da Maash em setembro de 2026. A executiva acumula mais de 25 anos de experiência internacional nas áreas de alimentos, ingredientes, nutrição e expansão industrial, incluindo passagens pela DSM, Avril Group e pela especialista em micoproteínas Enough Foods. (FoodBev Media)

Gaspard Gilbert, cofundador e atual diretor-geral, passará a exercer a função de diretor comercial e continuará temporariamente acumulando responsabilidades financeiras. A reorganização ocorre justamente quando a empresa deixa uma fase predominantemente de desenvolvimento para buscar implantação industrial e maior presença comercial.

Fermentação ganha espaço nas proteínas alternativas

O investimento na Maash ocorre em um momento de expansão de diferentes tecnologias relacionadas à micoproteína. Outras empresas europeias também estão levantando recursos para desenvolver proteínas obtidas por fungos e micélio, mostrando que a fermentação está se consolidando como uma das frentes tecnológicas das proteínas alternativas. (Green Queen)

A estratégia busca resolver alguns dos desafios encontrados pelo setor plant-based, incluindo textura, quantidade e qualidade das proteínas, custos industriais e capacidade de produzir ingredientes em grandes volumes. Diferentemente de alternativas baseadas somente em soja, ervilha ou outras culturas agrícolas, a micoproteína aproveita o crescimento de fungos para produzir biomassa proteica.

O que isso representa para vegetarianos e veganos?

A expansão da Maash é especialmente relevante para vegetarianos e veganos pela possibilidade de ampliar a variedade de ingredientes disponíveis para fabricantes. Produtos vegetais não precisam ficar restritos às proteínas tradicionais, como soja, ervilha, grão-de-bico e feijão. A fermentação permite explorar fungos como uma nova plataforma para criar alimentos ricos em proteína.

É importante, porém, fazer uma distinção: a Maash não é exclusivamente uma empresa de alimentos veganos. Sua tecnologia também está sendo direcionada a produtos híbridos que combinam micoproteína e carne, além de aplicações em alimentação animal. Ainda assim, a companhia confirma que sua plataforma pode ser empregada no desenvolvimento de alimentos veganos e vegetarianos, o que torna a inovação diretamente relevante para esse mercado. (Dealroom)

Próximo desafio será chegar à escala industrial

Com o novo financiamento, o principal desafio deixa de ser apenas demonstrar que a tecnologia funciona e passa a ser provar que ela pode competir industrialmente. Custos de fermentação, eficiência dos equipamentos, disponibilidade dos substratos, escala produtiva e interesse dos fabricantes serão decisivos para determinar até onde a LoCylia poderá chegar.

Se conseguir atingir a meta de produção de aproximadamente 10 mil toneladas anuais, a Maash poderá se tornar uma fornecedora relevante de micoproteína na Europa. Para o segmento vegano e vegetariano, o avanço representa mais uma alternativa tecnológica para diversificar as fontes de proteínas e desenvolver uma nova geração de alimentos produzidos por fermentação.

Fontes

Green Queen — Maash capta US$ 14,2 milhões para ampliar micoproteína

Protein Production Technology — Maash anuncia € 12,15 milhões e nova planta

EU-Startups — financiamento e aplicações veganas e vegetarianas da Maash

FoodBev Media — expansão industrial e nova CEO da Maash

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